Oposição barra rolo compressor do governo e instala CPMI do MST ( 22/10/2009 )
Após uma extensa guerra nos bastidores, que se prolongou durante as últimas horas dessa quarta-feira (21), a oposição conseguiu barrar o rolo compressor do governo e instalou a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do MST. Ao todo, 233 deputados e 36 senadores deram o apoio à criação da CPMI que vai investigar, entre outros pontos, o repasse de recursos públicos e estrangeiros ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). Do total de deputados, o governo conseguiu retirar apenas 23 assinaturas, totalizando dessa forma 210 apoios à comissão. De acordo com o regimento interno do Congresso Nacional, para que seja instalada uma comissão mista é necessário o apoio de no mínimo 171 deputados e 27 senadores.
A estratégia do Democratas começou a ganhar forma nessa terça-feira (20), véspera da sessão do Congresso Nacional, quando foi lido o requerimento de instalação da CPMI. Dessa forma, ao contrário da primeira tentativa, o governo teve menos de um dia para manobrar pela retirada das assinaturas. Outro dispositivo utilizado que teve efeito, segundo o vice-líder do Democratas na Câmara, Onyx Lorenzoni (RS), foi a ameaça de divulgação dos nomes dos parlamentares que retiram as assinaturas na imprensa nacional.
Presente na contagem das assinaturas, realizada na madrugada desta quinta-feira (22), o líder do Democratas na Casa, Ronaldo Caiado (GO), comemorou. “Derrubaram o laranjal, mas não derrubaram a CPMI. Essa não é uma vitória somente da oposição, mas da sociedade brasileira”, ressaltou o líder. “Ninguém mais aguenta ver os desmandos de um movimento que nem se quer é legalizado. Invadir propriedades produtivas e centros de pesquisa são atitudes que o brasileiro não suporta mais ver. Essa CPI vai fazer justiça à muita gente”, acrescentou o deputado Onyx Lorenzoni, co-autor da comissão.
Histórico
A primeira tentativa de instalação da CPMI do MST foi frustrada no início do mês. Na ocasião, o governo contou com dez dias para pressionar integrantes da base governista a retirarem as assinaturas. Nessa primeira tentativa 44 deputados voltaram atrás, o que impediu a instalação da comissão.
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